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Sombreando e realçando linhas de painéis

Este artigo mostra as várias técnicas de envelhecimento utilizadas pelos modelistas. Texto original por Martin Waligorski – IPMS Estocolmo . Tradução sob autorização: Alaor Gosdal

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Os kits modernos, montados e pintados como as instruções, refletem a peça original em estado de novo. Em contraste, objetos do mundo real quase sempre mostram o efeito do tempo e da idade. Por exemplo, as superfícies se tornam descoradas, manchadas, sujas, riscadas, corroídas e sofrem outras alterações sob a influência da natureza. Na visão de quem olha, estas alterações na aparência podem aumentar o valor dos objetos, desde que elas enfatizem sua longevidade e história.
ENVELHECIMENTO é o termo associado ao processo de fazer o modelo parecer ter sido usado.
Área especiais que requerem algum envelhecimento são as junções e linhas de painéis dos modelos.
Isso por duas razões principais: primeiro, em condições normais de iluminação, os baixos-relevos dos objetos reais podem frequentemente criar alguma sombra e, portanto, se parecerem mais escuros que as superfícies em torno deles. Em segundo, a fenda é onde a sujeira e/ou fuligem podem se
acumular nos obejetos reais. Ambos os efeitos precisam da ajuda do modelista para se parecerem na escala.
A conclusão óbvia de muitos modelistas é de prestar atenção nas linhas de painéis de baixo relevo dos modelos. A idéia básica é que o modelo teria mais vida se suas linhas de painéis de parecessem mais escuras do que o resto da pintura.
Há muitas maneiras de realçar linhas de painéis e outras estruturas de baixo relevo. O efeito irá variar dependendo da técnica usada, mas todas as descritas aqui terão o objetivo de fazer com que a superfície pintada do modelo possa se parecer a mais real possível. Esta matéria lhe dará um resumo
básico da maioria das técnicas usadas.

PRÉ SOMBREAMENTO

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Esta técnica requer um aerógrafo. A idéia é sombrear através das linhas de painel ANTES, usando uma cor mais escura para que ela possa ser vista após a pintura final. Na maioria dos casos os modelistas usam preto ou cinza escuro para isso. Obviamente o kit em si deve ser moldado numa cor clara e neutra, senão todo esse processo deve ser primeiramente  substituído por algumas demão de fundo cinza claro.
Mais tarde, quando for aplicar a pintura final no modelo, deve-se tomar cuidado para pintar em finas camadas, garantindo que as áreas pré sombreadas sejam vistas através da pintura final.
Pode parecer complicado para o iniciante, mas todo o processo é facilmente controlado com um aerógrafo, especialmente com a pintura final feita com tinta bem diluída. Uma técnica simples e eficiente.

PÓS SOMBREAMENTO

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O aerógrafo também é a ferramenta necessária para esta técnica. Como o nome diz, as sombras nas linhas de painel são aplicadas DEPOIS, sobre a pintura, como se fosse sujeira. É recomendado tentar uma tonalidade um pouco mais escura que a usada na pintura, ou um cinza escuro bem diluído.
Alguns modelistas costumam mascarar as linhas para enfatizar ainda mais o efeito. Isto deve ser usado, por exemplo, para simular os efeitos de fluxo de ar em aviões, ou para realçar linhas de divisão entre painéis adjacentes.
Resultados melhores podem ser facilmente conseguidos em superfícies pintadas em uma só cor.

CANETAS OU LÁPIS

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Esta é uma técnica antiga mas muito útil, muito popular antigamente, quando kits com linhas de painel em baixo relevo eram novidades no mercado. A idéia é “desenhar” através das linhas usando uma caneta ou lápis. O efeito com a caneta pode facilmente ficar exagerado. Na maioria das situações é preferível usar tons de cinza ao invés de preto, para evitar contraste excessivo. Porém você pode acentuar algunas lugares mais do que outros, como linhas em volta de escotilhas, superfícies móveis em aviões e outras tantas partes.
Usar lápis grafite é mais fácil. As linhas podem ser feitas com o auxílio de uma régua. A tinta base, no entanto, deve ser fosca, para permitir aderência suficiente para o lápis deixar um traço permanente. Use-os de acordo com sua maciez. Os lápis mais duros (tipo H) produzirão linhas com aspecto metalizado, enquanto os mais moles (tipo B) resultarão em linhas cinzas escuras. As linhas traçadas à lápis geralmente devem ser cobertas com uma camada de verniz fosco, para que não se sobressaia por causa do aspecto metálico do grafite.
Os lápis são grandes maneiras de adicionar novos painéis onde eles não existem, sendo uma alternativa com menos chance de erros do que o scribing.

CANETINHAS (MARKER PENS)

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Em matéria de canetas, uma cinza translúcida à base d’água também pode usada como ferramenta de sombreamento. Este tipo de canetinha são como tintas à base d’água:

quanto mais camadas você aplicar, mais escura ela ficará. A cor pode ser bem diluída colocando-se a ponta da canetinha na água. Depois remove-se o excesso no modelo utilizando-se um cotonete úmido. Estas qualidades fazem dessas canetinhas uma ferramenta ideal para aplicar aguadas (wash)suaves sem o risco de exagero.
Eu uso canetas para tecido, do tipo com a ponta macia e afinada, como um pincel. Elas têm a vantagem de serem bem controláveis para obterem efeitos delicados. Você simplesmente “desenha” o seu envelhecimento, e nem precisa de uma régua.

AGUADA (WASH)

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Basicamente esta técnica é sobre pintar com um pouco de solvente misturado com uma pequena quantidade de tinta. Quando você prepara uma aguada, usa muito solvente e pouca tinta. A proporção exata é de 1 ou 2 gotas de tinta numa colher de sopa de solvente. Uma aguada de cor escura – preto, cinza ou marrom – é uma grande maneira de simular sombras e sujeiras em lugares como escotilhas, rodas e grades de blindados. A mesma técnica pode ser usada para realçar todas as linhas de painéis de baixo relevo.
Uma aguada pode ser feita facilmente com qualquer quantidade de tinta suficientemente diluída para que ela corra livremente em todos os rebaixos do modelo. Algumas variantes comumente usadas são:

• Tinta óleo para pintura de quadros diluída com terebintina;
• Tintas esmalte para modelos, como Humbrol, super diluídas;
• Tintas acrílicas para modelos, como Tamiya, diluídas com água ou álcool;
• Tintas à base de água diluídas em água;
• Café ou chá forte (dão um efeito de sujeira em superfícies foscas)
Mas tome cuidado. Em algumas combinações as aguadas podem atacar a tinta base. Por exemplo, se você usar terebintina em superfícies pintadas com tinta acrílica, é quase certo que retirará a tinta de baixo. O melhor a ser feito é testar as combinações em alguma outra superfície ou kit antigo.
A aguada aderirá diferentemente em superfícies foscas e brilhantes. Muitas vezes é mais difícil fazer com que a aguada fique onde você quer nas superfícies brilhantes. Neste caso é necessário reaplicar tantas vezes for necessário, ou aplicar verniz fosco ou semi-fosco antes de aplicar a aguada.

GIZ PASTEL

São encontrados em lojas de materiais artísticos, numa variedade grande de cores. Mas lembre-se: giz pastel é diferente de giz de cera.
Para que esta técnica funcione, o modelo tem que estar realmente pintado e/ou envernizado em fosco. Este tipo de superfície é necessária para que o giz possa aderir.

O processo é extremamente simples. Basta raspar um pedaço do giz e, utilizando um pincel seco ou cotonete, aplicar o pó na superfície desejada.
Uma nova demão de verniz é necessária para “selar” o giz pastel, ou mais cedo ou mais tarde você terá um belo modelo cheio de digitais da cor do giz.
Essa técnica é melhor para simular fuligem de escapamento, resíduos de pólvora de armas e sujeiras em geral.

PINCEL SECO (DRYBRUSHING)

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É uma técnica para realçar detalhes em relevo. Utilizando um pincel de cerdas meio duras, molha-se na tinta e depois retira-se o excesso num papel toalha, guardanado ou mesmo uma cartolina, até que ele fique quase seco. Só então o pincel pode ser esfregado suavemente sobre as áreas que você deseja realçar.
Para a técnica de pincel seco, você normalmente precisará de uma tonalidade mais clara do que a pintura base. Ela fará com que os detalhes em relevo fiquem mais claros. Isto parece natural, já que objetos reais possuem áreas mais claras onde possuem relevos.
O pincel seco com prata ou alumínio pode ser usado para simular bordas proeminentes, como por exemplo em volta de escotilhas, painéis de acesso, etc, ou para destacar parafusos e rebites.
Modelistas habilidosos também usam esta técnica para realçar pequenos detalhes, como emblemas de automóveis, ou para acentuar painéis de instrumentos ou cockpits. Um dos usos mais efetivas do pincel seco é para simular superfícies com texturas de ferro fundido, como na foto acima.
O envelhecimento é talvez o ponto máximo na construção de um modelo. Ele requer muita prática para alcançar o resultado desejado. E uma das decisões mais freqüentes a ser tomada é o quanto envelhecer, o quanto sujar… Divirta-se fazendo experiências e lembre-se: se seu modelo se parecer correto, ele está correto.

Martin Waligorski